Dead Man de Jim Jarmusch *****É por isto que amo o cinema. Milhões de filmes para ver, sendo que há sempre aquela possibilidade de sermos surpreendidos por cada filme. Este foi o caso. Dead Man de Jim Jarmusch (realizador de Coffe and Cigarettes, Down by Law e Broken Flowers) é cinema de autor em estado cristalino, livre de preconceitos e abundante em significados e morais. Existem duas viagens de William Blake: uma tenebrosa, onde o comboio castrante sentencia o destino inglório de Blake (a chegada à vila de Machine é algo pitoresca o que enfatiza a barbárie daquele povo, naquela altura específica) e outra espiritual: onde William Blake, a personagem, se funde com William Blake, o pintor e poeta, e com o transcendentalismo Índio (veio-me à memória Siddartha de Hermann Hesse). Dead Man é um filme moderno antigo não só pela maneira de filmar como também pela encenação. A personagem de Robert Mitchum , um senhor do cinema que teve aqui o seu último papel, sublinha o toque antigo que o autor dá à obra e enfatiza um actor em estado de graça, quase ao nível de John Wayne ou James Stewart. Sobre Johnny Deep, esse grande actor que já em 1995 (ano em que este filme foi feito) era um dos melhores, não há nada a dizer (afinal há, já foi é dito anteriormente).
Há ainda uma aparição esplêndida de Iggy Pop, que torna a narrativa mais caricata e que afirma Jarmusch como um auteur sui generis.
"If the doors of perception were cleansed, everything would appear to man as it is: infinite."
- William Blake










